16 de dezembro de 2009

Você precisa amar seu trabalho

Postado em: Desenvolvimento,Qualidade de vida,Scrum por matheus

Amor é uma daquelas palavras que possuem vários significados. É um sentimento difícil de ser qualificado e quantificado: afinal, o que significa amar muito ou pouco alguma coisa ou alguém?

Platão define o amor erótico (que vem de Eros, o deus do amor). É o amor do desejo, do prazer. Desejamos aquilo que não temos. É o amor que existe na falta. Quando conseguimos aquilo que nos falta, aquilo que desejamos, o amor acaba. É um amor que se renova, começa e acaba várias vezes durante nossas vidas.

No SCRUM, esse amor existe durante as Sprints. Queremos atingir a meta definida pelo Product Owner, pois o que ele deseja deve ser aquilo que amamos eroticamente. Esse amor atinge seu clímax na reunião de review: mostramos para todos envolvidos e comprometidos no projeto que atingimos a meta. As vezes, fazemos até um churrasco para comemorar! Mas aí, esse amor acaba, pois conseguimos aquilo que desejávamos e atingir essa meta não nos faz mais falta.

Entretanto, também existe a definição de amor de Aristóteles (aluno de Platão). Aristóteles define o amor filia (que vem de amizade). É o amor da alegria: ama-se aquilo que se tem. Ama-se na presença, no dia-a-dia, e não na falta. É um amor persistente, constante.

Esse amor também deveria existir no time do projeto durante as Sprints. Amar aquilo que se está fazendo, amar o trabalho no dia-a-dia, na presença, na alegria. Cada um precisa da alegria do outro para ser alegre. Enquanto o amor erótico nos cega (olhamos só para a meta), o amor filia nos mostra novas possibilidades e nos torna mais criativos. Assim, atingir a meta será apenas uma consequência. Não adianta comemorar a meta atingida se o trabalho durante a Sprint foi feito sobre muita pressão e stress. Todo dia tem que valer a pena trabalhar, todo dia tem que ser dia de churrasco!

Portanto, precisamos tanto de amor erótico, quanto de amor filia. Precisamos manter o equilíbrio entre eles. Continuemos erotizados, mas prestemos atenção na filia (alegria do encontro, do cotidiano, do amor na presença). Não é a meta que é a medida da conduta (amor erótico), mas sim o resultado de todo o processo (amor filia).

Esse post foi inspirado na palestra feita por Clóvis de Barros na HSM ExpoManagement 2009.

7 Comentários

  1. Nina Rosa Madeira disse:

    Filosofia e Scrum. Um artigo de conteúdo.
    Analogia caiu bem.
    Parabéns.

  2. Nabiha H S Machado disse:

    Em outras palavras: o equilíbrio anunciado no Tao. Atingir metas realmente é prazeroso, mas atingir metas a partir de um processo prazeroso é muito melhor… Gostei da reflexão!

  3. Luiz Sanches disse:

    Simplesmente inspirador!

  4. Lucas Pinheiro disse:

    Parabéns pelos resultados. Estou feliz de saber que existem empresas nascendo como a de vocês no Brasil. To torcendo por vocês.
    Abraços

    -Simplesmente Inspirador![2]

  5. Marcelo F Andrade disse:

    Que bonito insight! Parabéns!

  6. Diego disse:

    É a filosofia corporativa. rsrs

  7. [...] ou alguém da equipe de desenvolvimento (com os diversos papeis que seu processo lhe atribuir), você precisa amar o seu trabalho.  Tenha orgulho de seu software.  Veja-o crescer.  Trate-o como uma joia a ser lapidada.  Tenha [...]

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