Gestão Participativa
Em pleno século XXI, muitos empresários não se reciclaram e entenderam a (r)evolução das “Relações Industriais” (ou utilizando um termo um pouco mais moderninho – “Recursos Humanos”) para Gestão de Pessoas. Não é apenas uma questão de terminologia, trata-se de uma mudança comportamental.
Minha professora na faculdade de gestão de pessoas disse: “tem que entender que o funcionário tem coração e cérebro”. Se entendemos isso, porque não vamos um pouco mais além e implementamos uma Gestão Participativa?
Hoje a Webgoal deu um passo importante na direção desse objetivo. Conhecemos a SEMCO, uma empresa que adotou a gestão participativa na década de 80. Isso mesmo, há 30 anos. Já tinha lido o livro Virando a própria mesa do Ricardo Semler, mas confesso que o contato pessoal me fez acreditar que aquilo tudo é real e que a mudança é possível.
O que você diria sobre as pessoas poderem escolher o horário para trabalhar (chegam mais tarde porque tem dentista ou, simplesmente, porque querem dormir um pouco mais), ou ainda um sistema de “escritório não territorial”, onde você pode trabalhar da lan house ou da sua casa? Na SEMCO é assim e eles não faliram ou perderam clientes por conta disso. Muito pelo contrário.
Para começar precisamos entender que aderir a tal Gestão Participativa não é simples. Primeiro, acredite que você pode mudar. Depois comece envolvendo as pessoas nas mudanças, lembrando que nem tudo que é bom para a empresa é bom para o funcionário e vice-versa. Faça ou sugira uma pesquisa de clima e descubra se empresa e funcionários estão em sintonia.
Não se assuste com a primeira crítica ou com a primeira mudança que não tiver sucesso. Isso faz parte do processo e as mudanças levam tempo. Mantenha sua mente aberta, isso te ajudará a progredir. Getúlio Vargas contribuiu para evolução dessa relação paternalista com os funcionários a partir da implantação da CLT. Entretanto, isso foi em 1943 e muitos conceitos estão ultrapassados. Acostume-se a ir contra a CLT em prol da qualidade de vida e dos resultados coletivos.
Como você reage ao conversar com seus funcionários sobre salário? Ou melhor, você teria coragem de perguntar a eles quanto eles acham que devem ganhar? E você funcionário, teria coragem de apresentar para o dono da empresa em que você trabalha quanto você quer ganhar? Se não tem, deveria. A gestão participativa é assim.
Aumentar qualidade de vida no trabalho, otimizar tempo, aproximar as pessoas independentemente do departamento que trabalham, abolir cartão de ponto, dentre tantos outros fatores são sonhos que podem se tornar reais. Basta querer.
“Confiamos nas pessoas. O importante é ser feliz, gostar do que faz e de como se faz. Não contratamos horas, contratamos a responsabilidade de um trabalho de qualidade.” afirma Flordelice Bassanello. Aliás, muito obrigada por ter nos recebido na SEMCO com tanta simpatia e ter “aberto” ainda mais nossa mente.
Ficamos muito felizes de ver que a Webgoal está caminhando na direção certa. Colhemos o que plantamos e tenho certeza que essa filosofia despertará em cada um de nós a ansiedade de colher os bons frutos.

Parabéns pela iniciativa. Espero que mais empresas comecem a investir no futuro como vocês em vez de só pensarem em ganhos limitados de curto prazo.
Venho acompanhando o trabalho de vocês. Como o Akita disse no comentário acima, parabéns, mas parabéns mesmo, é um ótimo exemplo a ser seguido.
Abraços.
Li o relato da visita aqui e também no site do Akita e acredito que a Semco seja realmente um lugar inspirador, mas gostaria de saber a opinião de vocês quanto ao horário de trabalho livre no desenvolvimento ágil de software.
Se falarmos de Scrum, por exemplo, devemos ter um time presente em todas as cerimônias e isto exige um horário comum a todos. Um outro exemplo seria a programação em pares do XP, que acaba caindo na mesma situação.
O que vejo é um pensamento mais “2.0″ onde o funcionário tem certa liberdade para, excepcionalmente, atender um compromisso pessoal mas na maioria do tempo ele deve participar do horário do time.
Como é isto na Webgoal?
Abraço!
Luiz
Recebi a indicação do artigo via twitter, esperava encontrar mais profundidade no assunto abordado, não conhecia o blog, me parece ser um blog corporativo, feito por pessoas inteligentes e com boa intenção. Aposto que vocês conseguem entrar nos temas com mais detalhamento.
Digo isso pois gostei do que encontrei e vi que os outros posts seguem essa linha e também poderiam ser um pouco mais ricos.
Fora isso, os assuntos que vocês tratam são muito interessantes, parabéns.
Todas as empresas brasileiras especialmente deveriam simplesmente ler este post, só pra sentirem que nós não somos recursos mas sim pessoas.
Quando digo empresas leia-se empresários, gestores, etc.
Fala Luiz!
Aqui na WebGoal os times fazem horários diferentes na maior parte das vezes porém, os membros do mesmo time optaram por respeitar o mesmo horário. Digamos que temos o “Horário do Projeto” definido pelo próprio time e este horário muda com frequencia. Depende dos fatores externos tipo o clima, o trânsito, as férias.
Quando começamos com as práticas ágeis entendemos o quanto é importante respeitar os cerimoniais. Acredito que seja possível praticar horários diferentes dentro do mesmo time desde que haja um overlap mínimo de horário para os cerimoniais, um integrador, muita disciplina… tem que avaliar o contexto.
Com certeza isso exige muito mais disciplina para manter o processo rodando mas é possível. Esse assunto vale um happy hour
Abraço!