Webgoal

04 Dec/13

Interaction South America 2013

Aconteceu nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro, em Recife, o Interaction South America 2013 (#isa13).

O gatilho para todos os debates partiu de um tema muito pertinente: "Novos modelos, novas indústrias e novas interações".

Fica cada vez mais evidente que perceber, aprender e se adaptar ao ambiente é fundamental para criar boas soluções. Nós, como seres humanos precisamos (re)aprender a fazer isso. E essa tarefa não é responsabilidade só do designer, do antropólogo, do pesquisador ou do profissional de ciências humanas, é de todos. Definir responsabilidades de aprendizado baseadas em cargos ou perfis não faz sentido algum.

Mas voltando ao #ISA13, foram 14 palestrantes que tocaram em diversos assuntos que orbitam essa nova/velha realidade de sempre. Vou fazer um resumo dos pontos que achei mais importantes em cada uma delas.

Resumão

Serendipity by Design: Why Design Works - por Dave Malouf

O Dave usou como base da sua palestra uma palavra muito falada no #ISA13: "serendipidade", ou a capacidade de estar preparado para descobrir coisas "por acaso".

Ele passou dicas sobre 4 pontos muito importantes para se preparar:

  1. Ambiente
    Deixar tudo visual, usar as paredes para compartilhar e inspirar, permitir que outros colaborem com a informação exposta, ter foco e distração em momentos oportunos, explorar o desconhecido e estimular a interação social
  2. Prática
    Criar artefatos artesanais para representar e criar modelos, prototipar, estimular o pensamento criativo, criar associações, usar linguagem visual
  3. Conhecimento
    Saber de histórias, conhecer a teoria das coisas, buscar fontes para fundamentar idéias, descontruir e reconstruir, contrastar idéias
  4. Senso crítico
    Criar padrões, guidelines e princípios para interagir com o mercado, e saber receber feedback do que será entregue porque quem dirá o que quer receber é o mercado.

 

Retratos em visualização de informação - por Pedro Miguel Cruz

O objetivo do Pedro é tornar acessível a interpretação de grandes dados por qualquer pessoa. Mostrou diversos exemplos sobre o que é possível fazer para sintetizar "big data" em formatos mais legíveis.

 

On earning respect and doing what we love - Santiago Bustelo

Nós aqui na Webgoal acreditamos que, se você está fazendo o que ama, certamente todos os benefícios virão como consequência. Mas o Santiago abordou aspectos interessantes.

O exercício que ele propõe é de você imaginar que para ganhar respeito você deve avançar nos degraus:

  1. Profissionalismo: que começa na universidade .
  2. Liderança: que está relacionado com criar resultados junto com outras pessoas
  3. Empreendedorismo: que está relacionado em se comprometer com todas as etapas da entrega de valor ao cliente, desde a visão até o pós venda.

 

Design, memória e comportamento na era digital - Guto Requena

O Guto expôs a pesquisa que ele fez (e tem feito) sobre a evolução da computação e as transformações que acontecem, cedo ou tarde, com todas as pessoas, independentes de classe ou posição. A pesquisa passa por tópicos como os nativos digitais, a presença digital, a evolução pós guerra e a transformação forçada de velhos negócios pela nova cultura digital, enraizada na troca rápida de informação em todas as direções (like MTV).

Além disso, ele mostrou diversos projetos do Estudio Guto Requena. Projetos muito bacanas que vão desde instalações usando iluminação controlada por arduino até peças que materializam ondas sonoras de centros urbanos.

Os projetos do Guto sempre levam em consideração a observação e o entendimento do ambiente em que estarão inseridos.

 

When Serendipity Happens - Arne van Oosterom

Muito relacionado com os tema do Dave Malouf e do Santiago Bustelo, Arne também chamou a atenção para sempre buscarmos fazer o que amamos. Ele é o próprio exemplo disso e este é um caminho para humanizarmos as empresas.

Uma frase muito interessante dele foi: Você só aprende coisas sobre as coisas fazendo coisas.

Daí a importância de colocar sua solução o mais rápido possível em contato com o público para "falhar" o mais rápido possível e aprender o mais rápido possível sobre o que é realmente importante.

Para fechar ele disse que só 2 coisas são realmente importante nas nossas vidas: Saúde e Felicidade. =)

 

User Experience in a Rapidly Changing World - Josh Seiden

Todo negócio é um negócio de software. Wow! Pode parecer maluquice mas Josh fundamentou muito bem usando "internet das coisas" como base. O software está realmente engolindo o mundo e já que o mundo está mudando numa velocidade absurdamente maior do que a própria história, devemos adaptar nossos métodos e abordagens para suportar essa velocidade.

Aprendizado contínuo, validação de premissas e hipóteses, equipes pequenas, dedicadas e multifuncionais e análise de dados são as características dos negócios do futuro.

Alguém já ouviu isso por aí?

 

Seeing the Elephant: Defragmenting User Research - Lou Rosenfeld

Lou Rosenfeld, autor do cultuado livro do urso polar (Information Architecture for the World Wide Web), tido por muitos como a bíblia da arquitetura de informação, falou nessa palestra sobre os problemas de se separar o conhecimento da empresa em diferentes silos desagregados de informação.

Para ilustrar este exemplo, Lou apresentou a parábola dos três cegos que encontram um elefante em uma floresta. Ao tocar e sentir as partes diferentes do elefante, cada cego tem uma ideia de que animal é aquele. Apenas quando se juntam e ouvem a história de cada um é que podem chegar a conclusão de que o animal é um elefante.

Lou usa a parábola dos três cegos e o elefante como metáfora uma para a maneira que algumas grandes corporações funcionam. Cada divisão da empresa enxerga um aspecto diferente do cliente ou da organização e, separadas, cada um tem uma ideia diferente do que está acontecendo. É preciso re-pensar o modo de trabalho para que essa informação seja reunida e toda a empresa possa pensar, de uma forma mais colaborativa, a melhor forma de retornar valor para o seu cliente.

 

Rethinking User Research for the Social Web - Dana Chisnell

Basicamente usamos as mesmas técnicas de pesquisa com usuários de 30 anos atrás. Este tipo de pesquisa não considerava as interações sociais como fator fundamental. Antes testavamos interações "humano-computador" e percebemos que na realidade as interações são "humano-humano" mediadas por computador. É assim que devemos testar.

Para ajudar a repensar como essas pesquisas devem ser feitas, ela sugere 5 aspectos importantes a serem considerados:

  1. A natureza de tudo online é social
  2. Escala pode mudar tudo
  3. As tarefas não são como você imagina
  4. Satisfação está relacionado com completar tarefas
  5. Usuários modificam constantemente seu design fazendo gambiarras

Dana ainda atenta para o fato de que, social é sobre contexto e relacionamentos e, os métodos em geral, não são robustos o suficiente para entender isso.

Invista tempo para fazer as pesquisas que tragam as melhores respostas para o seu contexto, não as que são mais fáceis de serem feitas. Aprofunde-se  em questões pessoais, considere aspectos sociais repense os métodos e analise seus resultados.

 

Service Design Thinking: How To Successfully Innovate Beyond Buzzwords - Marc Stickdorn

A palestra do Mark foi muito do que temos visto nos últimos anos aqui na Webgoal sobre o desenvolvimento de produtos.

Pensar na solução como um serviço e não como um produto isolado ajuda a compreender a experiência do usuário e tratar todos os aspectos, desde o momento em que nosso serviço é buscado até o resultado que ele oferece para nossos clientes.

Recomendo fortemente o belíssimo livro This is Service Design Thinking, do próprio Marc Stickdorn.

 

Network Focused Design - Sara Córdoba

Sara trouxe para o debate a necessidade das pessoas estarem conectadas, dada nossa própria natureza social.

Todas as interfaces tem o potencial de estarem conectadas. Carros, casas, fraldas, tudo pode se conectar. Com tudo conectado teremos muitos (mais) dados para serem vistos, analisados e transformados em informação relevante. Daí uma oportunidade nasce.

"Pratique empatia, procure um caminho para inovação, pense no valor das conexoes entre produtos, servicos, pessoas e ambiente e pense em rede", foi a dica da Sara.

 

Muito design e mais psicologia na criação de novos cenários de aprendizagem para a escola - Luciano Meira

Novas abordagens, novos métodos e um novo mundo precisam de novas formas de aprendizado. Luciano tem trabalhado para #hackearaescola.

A leitura do Luciano é de que precisamos nos unir para transformar a "velha escola".  Vivemos no mesmo modelo de escola há séculos onde, transmitimos o conhecimento e estimulamos as crianças a rete-lo "just in case". Precisamos criar ambientes imersivos que facilitem o aprendizado, preparando as pessoas para buscar o conhecimento "just in time", apenas quando precisarem dela. Segundo Luciano, apenas educadores e psicólogos não será suficiente para promover essa grande transformação.

Um caminho proposto pelo palestrante seria usar a pedagogia e a ludicidade existente nos games para ajudar nesse contexto.

 

Designing for Hackability - Catarina Mota

No tema internet das coisas, a "Hacker de coisas" Catarina, trouxe uma série de reflexões sobre o quanto o mundo está "hackeável" e adaptável a partir de criações e co-criações de coisas, antes impossíveis de serem feitas.

Impressora 3D, Public Factories, Serviços online de fabricação de coisas e algumas referências como o LittleBits.cc deram o tom da palestra. Hoje todos tem acesso a construir coisas e, o melhor de tudo, contruir coisas do jeito que cada um quer.

Estamos vivendo uma era em que não precisamos nos contentar com o que está posto. Podemos hackear tudo!

 

Mobile & UX: Inside the Eye of the Perfect Storm - Jared Spool

"90% de tudo é lixo". Foi assim que Jared começou a "bater na cara" de cada um dos que assistiam a sua palestra.

Muito enrraizada na prática de "Mobile First", ele mostrou uma série de exemplos de sites que não são responsivos e não podem ser aproveitados em dispositivos móveis. Ainda hoje, mesmo com o volume de dispositivos móveis, muitos de nós ainda não nos preocupamos em criar sites, sistemas e soluções responsivos.

Precisamos criar boas experiências, independente do dispositivo que está acessado nossa solução. Questão de higiene. =)

 

Why eBay is a Better Prototyping Tool than a 3D Printer, The Long Nose, and other Tales of History - Bill Buxton

Bill é pesquisador-chefe da Microsoft. Com uma visão muito completa da evolução de quase tudo do que se existe hoje em termos de tecnologia ele colocou alguns pontos de vista interessantes sobre mercado, inovação e acaso.

O primeiro ponto interessante foram as 3 regras da cultura do (bom) design:

  1. Todo novo produto deve ter uma excelente experiencia e um excelente valor
  2. Ele deve fluir
  3. Ao criar uma solução, pense em reduzir a complexidade de qualquer outro produto digital que seu cliente já tenha e, amplificar outro valor de qualquer outro produto que seu cliente já tenha

Para Bill a cultura não mudou, só a interações mudaram, por isso, precisamos ser bons mineiradores de soluções que já apareceram. Buscar inspiração no que já foi testado pode ajudar a criar novas soluções para problemas do contexto atual. Como exemplo, o iPhone. Todos os elementos (touch, acelerometro, etc...) do iPhone já haviam aparecido em dispositivos diferentes muitos anos antes do seu lançamento. O que a Apple fez foi consolidar tudo em um novo device.

Vale a pena ver a coleção que ele mantém sobre essas tecnologias. Você vai se surpreender!

Uma dica valiosa e que amarra tudo que foi dito é que devemos manter o foco em resolver problemas das atividades e não das interfaces.

A internet das coisas adicionará uma camada a mais de complexidade no entendimento dos problemas a serem resolvidos, por isso, precisamos lembrar sempre que nós somos móveis, nós somos sociais, nós somos seres humanos e assim devemos nos entender, como seres humanos.

 

Conclusão

Foi um evento muito inspirador. Trouxe vários gatilhos de assuntos que fatalmente estarão em discussão em pouquíssimo tempo. Internet das coisas, resolução de problemas, interações sociais, mobile, felicidade no trabalho, multidisciplinaridade e muitas outras buzz words do momento.

Muitos dos assuntos já estão sendo muito debatidos e desenvolvidos por outras comunidades como a de desenvolvimento de software e negócios. Precisamos juntar tudo isso numa coisa só!

Mente aberta é só o que falta para criarmos um mercado cada vez mais forte e melhor para todos.

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